ONU Alerta: ‘Janela de Oportunidade’ Climática se Fecha Rapidamente
Ação climática no limite: relatório da ONU soa alarme
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas, divulgado nesta segunda-feira, alerta que a ‘janela de oportunidade’ para limitar o aquecimento global a 1,5°C está se fechando rapidamente. O documento, produzido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, afirma que as emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 45% até 2030 em relação aos níveis de 2010. Para alcançar a meta do Acordo de Paris, o pico das emissões deve ocorrer até 2025, o que exige cortes drásticos e imediatos.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a situação como ‘código vermelho para a humanidade’ e pediu que os líderes mundiais apresentem planos concretos na próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, marcada para novembro de 2026 em Belém, no Brasil. ‘Esta é a última chance real de corrigir o rumo’, afirmou Guterres, que também cobrou dos países desenvolvidos o cumprimento da promessa de financiamento climático de US$ 100 bilhões anuais para nações em desenvolvimento.
O relatório destaca que, mesmo com as políticas atuais, o mundo caminha para um aquecimento de 2,8°C até o final do século. Entre as principais fontes de emissão, o setor de energia continua sendo o maior poluidor, seguido pela agricultura e pelo desmatamento, especialmente na Amazônia. O documento também ressalta que as tecnologias de remoção de carbono, como captura direta do ar e reflorestamento em larga escala, ainda são insuficientes para compensar a inação.
Ambientalistas e cientistas reagiram com urgência. ‘O que falta não é tecnologia, é vontade política’, declarou a ativista Greta Thunberg, em comunicado. Governos de países como Brasil, Índia e China foram pressionados a apresentar metas mais ambiciosas. A China, maior emissor global, ainda não atualizou suas Contribuições Nacionalmente Determinadas desde 2020. Nos Estados Unidos, o governo Biden enfrenta resistência congressual para aprovar subsídios verdes.
A COP30, em Belém, será a primeira conferência climática realizada na Amazônia. O governo brasileiro anunciou que pretende sediar o evento com foco em soluções baseadas na natureza e na proteção florestal. No entanto, organizações indígenas alertam para o aumento do garimpo ilegal e da grilagem de terras na região. ‘Não podemos proteger o clima sem proteger os povos da floresta’, disse o cacique Raoni Metuktire, líder do povo Kayapó.
Especialistas apontam que as energias renováveis, como solar e eólica, já são mais baratas que combustíveis fósseis na maioria dos países, mas a transição energética esbarra em subsídios bilionários ao petróleo e gás. A Agência Internacional de Energia estima que, para cumprir as metas de 2030, os investimentos em energia limpa precisam triplicar. O relatório da ONU conclui que ‘cada fração de grau adicional importa’ e que atrasos custarão vidas e economias.