Crise Humanitária no Sudão: Êxodo de Crianças Alarma ONU
Sudão: Mais de 4 milhões de crianças deslocadas, alerta UNICEF
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou nesta quinta-feira um relatório alarmante: mais de 4 milhões de crianças foram forçadas a deixar suas casas no Sudão desde o início do conflito entre o Exército Sudandês e as Forças de Apoio Rápido (RSF), em abril de 2023. A crise humanitária, agravada pela fome e pela falta de acesso a serviços básicos, já é considerada a maior do mundo para crianças deslocadas.
Segundo a UNICEF, metade dos deslocados internos e refugiados sudaneses são menores de idade. A organização também denunciou o recrutamento forçado de crianças por grupos armados, além de casos de violência sexual e separação familiar. O Chade, o Egito e o Sudão do Sul são os principais destinos dos refugiados, que enfrentam condições precárias nos campos superlotados.
António Guterres, secretário-geral da ONU, classificou a situação como “catastrófica” e pediu cessar-fogo imediato. “O mundo não pode ficar indiferente enquanto uma geração inteira de crianças sudanesas é privada de educação, saúde e proteção”, declarou. A ONU estima que 18 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda, sendo 5 milhões em estado de emergência.
Organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras (MSF), relatam dificuldades de acesso a áreas controladas pelas RSF. A falta de financiamento também preocupa: até o momento, apenas 27% do plano de resposta de US$ 2,7 bilhões foi financiado. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir na próxima semana para discutir novas sanções e medidas de proteção.