Cúpula do Clima em Dubai: Acordo Histórico para Eliminar Combustíveis Fósseis?
Cúpula do Clima em Dubai: Acordo Histórico para Eliminar Combustíveis Fósseis?
Dubai, Emirados Árabes Unidos – A Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP28) começa nesta semana com uma pressão sem precedentes para que os países adotem uma linguagem ousada sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. O mundo observa enquanto negociadores de quase 200 nações tentam chegar a um consenso que possa frear o aquecimento global.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, abriu a conferência com um discurso contundente, declarando que “a janela para limitar o aquecimento a 1,5°C está se fechando rapidamente” e pedindo que as nações ricas liderem pelo exemplo, reduzindo drasticamente suas emissões e financiando a transição energética nos países em desenvolvimento.
No centro das negociações está a questão dos combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás natural. Enquanto mais de 80 países, incluindo a União Europeia e pequenas nações insulares, defendem uma linguagem que preveja a “eliminação progressiva” desses combustíveis, grandes produtores como Arábia Saudita e Rússia resistem, preferindo termos como “redução” ou “saída gradual”, com ênfase em tecnologias de captura de carbono.
O presidente da COP28, Sultan Ahmed Al Jaber, que também é CEO da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), tem enfrentado críticas por sua posição dupla. Ele argumenta que a indústria de petróleo pode ser parte da solução, investindo em energias renováveis e inovações como hidrogênio verde, mas ativistas temem que ele use sua influência para enfraquecer o acordo.
Enquanto isso, manifestantes de todo o mundo se reuniram nas ruas de Dubai, exigindo ações concretas, não apenas promessas. Grupos ambientais como o Greenpeace e o 350.org organizaram protestos pacíficos, destacando a ironia de realizar uma cúpula do clima em um dos maiores produtores de petróleo do mundo.
Especialistas apontam que o sucesso da COP28 dependerá da capacidade de encontrar um meio-termo que mantenha o objetivo de 1,5°C ao alcance. A versão final do texto, prevista para ser adotada na próxima semana, precisará equilibrar as necessidades econômicas dos países produtores com a urgência climática.
“Este é o momento da verdade”, disse a jovem ativista queniana Elizabeth Wanjiru, que participa da conferência. “Nossa geração não pode esperar mais. Precisamos de um acordo que seja justo e que coloque o planeta em primeiro lugar.”
A cúpula também lançou um fundo de perdas e danos, aprovado no ano passado, para ajudar países vulneráveis a lidar com desastres climáticos, e discute a expansão do financiamento climático para trilhões de dólares. As decisões tomadas aqui podem redefinir o futuro energético global e a luta contra a crise climática.