Cúpula do Clima em Carbono Zero: Acordo Histórico ou Promessa Vazia?
Cúpula do Clima em Carbono Zero: Acordo Histórico ou Promessa Vazia?
Em um marco para a diplomacia ambiental, líderes de 195 países aprovaram na madrugada desta quarta-feira o Acordo de Carbono Zero, comprometendo-se a eliminar todas as emissões líquidas de gases de efeito estufa até 2050. O pacto, firmado durante a Cúpula do Clima em Genebra, estabelece metas intermediárias para 2030 e 2040, além de um fundo de US$ 100 bilhões anuais para apoiar nações em desenvolvimento na transição energética.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o acordo como ‘um passo sem precedentes para salvar o planeta’. Já o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que ‘a implementação é o verdadeiro teste’. Críticos, no entanto, apontam que o texto final não inclui sanções para países que descumprirem as metas, levantando dúvidas sobre sua eficácia.
O acordo prevê ainda a criação de um painel científico independente para monitorar os progressos nacionais, mas sem poder de punição. Organizações ambientalistas, como o Greenpeace, reagiram com cautela, pedindo que os governos transformem promessas em ações concretas. ‘Precisamos de leis nacionais e investimentos reais, não apenas retórica’, disse a diretora-executiva do Greenpeace Internacional, Jennifer Morgan.
Entre os pontos mais polêmicos está a exclusão de setores como aviação e agricultura industrial das metas obrigatórias, deixando-os sob regulamentação voluntária. Apesar das críticas, o acordo representa o primeiro compromisso global juridicamente vinculante sobre emissões desde o Acordo de Paris de 2015. A expectativa é que o tratado entre em vigor em 2028, após ratificação pelos parlamentos nacionais.