Cúpula do Clima em 2026: Acordo Histórico ou Promessas Vazias?
Começou nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, a Cúpula do Clima de 2026, um encontro que reúne representantes de mais de 190 países para discutir medidas urgentes contra o aquecimento global. A expectativa é alta, mas o ceticismo também, já que edições anteriores terminaram com compromissos vagos e metas não cumpridas.
O principal ponto de discórdia é o financiamento. Países em desenvolvimento cobram que as nações ricas, historicamente responsáveis pelas emissões, cumpram a promessa de US$ 100 bilhões por ano em ajuda climática, feita na COP de Paris. Já os países ricos alegam que os recursos são insuficientes e pedem que economias emergentes, como China e Índia, também contribuam.
Outro tema central é a eliminação gradual dos combustíveis fósseis. Enquanto a União Europeia e os países insulares, os mais vulneráveis à elevação do nível do mar, defendem um cronograma rígido, grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, resistem a qualquer compromisso vinculante.
A conferência também marca a primeira participação do novo secretário-geral da ONU, António Guterres, que já avisou que não aceitará um acordo ‘de fachada’. Ele afirmou que o mundo está ‘à beira do abismo’ e que a cúpula é uma ‘oportunidade final’ para evitar uma catástrofe.
ONGs ambientalistas, como Greenpeace e WWF, realizam protestos nas ruas do Rio, cobrando ações concretas. ‘Não queremos discursos, queremos mudanças’, diz a ativista Greta Thunberg, presente no evento.
Analistas apontam que, apesar das tensões, um acordo mínimo é provável, mas o impacto real dependerá da implementação. ‘Se as metas forem cumpridas, podemos limitar o aquecimento a 1,5°C. Se não, o futuro será sombrio’, alerta a cientista portuguesa Maria João, do IPCC.