Crise Global de Água Doce Ameaça Metrópoles e Esteio da Agricultura
Escassez de Água Atinge Níveis Críticos em Todo o Planeta
Um novo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta quarta-feira, alerta que a crise global de água doce se intensificou drasticamente. Segundo o documento, aproximadamente 3,2 bilhões de pessoas – cerca de 40% da população mundial – enfrentam atualmente escassez severa de água pelo menos um mês por ano. A situação é particularmente grave em megacidades como Cidade do Cabo, Bangalore e Cidade do México, que já implementaram racionamentos. O estudo, intitulado Água para a Vida 2026, destaca que a demanda global deve superar a oferta em 40% até o final da década, impulsionada pelo crescimento populacional, urbanização descontrolada e mudanças climáticas.
A agricultura, que responde por 70% do consumo mundial de água, é o setor mais vulnerável. Regiões produtoras de alimentos, como o Vale Central da Califórnia e a Bacia do Indo no Paquistão, registram quedas drásticas nos lençóis freáticos. António Guterres, secretário-geral da ONU, classificou a situação como “uma emergência global silenciosa” e pediu ação coordenada dos governos. “A água é a base da vida, da saúde e da prosperidade. Sem ela, não há desenvolvimento sustentável”, afirmou. O relatório propõe investimentos em dessalinização, reúso de águas residuais e sistemas de irrigação eficientes, mas reconhece que os custos são elevados para países em desenvolvimento.
A crise também gera tensões geopolíticas. O Rio Nilo, compartilhado por 11 países africanos, e o Rio Mekong, no Sudeste Asiático, são focos de disputas. A Autoridade da Bacia do Nilo anunciou novas negociações para mediar conflitos sobre a construção de barragens. Enquanto isso, organizações não governamentais criticam a inação dos líderes mundiais. “Estamos sentados em uma bomba-relógio”, declarou Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático. A expectativa é que a Assembleia Geral da ONU, em setembro, coloque a segurança hídrica como tema central da agenda.